A Lei Sarbanes-Oxley foi criada para proteger investidores contra fraudes contábeis. Mas para implementá-la, a empresa precisa de sistemas confiáveis — e TI é responsável por esses sistemas.
Por Anderson Chipak · ALC · Atualizado abr/2026
A Lei Sarbanes-Oxley (SOX) foi promulgada nos EUA em 2002 após os escândalos da Enron e WorldCom. Ela estabelece requisitos de controle interno, transparência e responsabilidade pessoal dos executivos sobre os relatórios financeiros.
No Brasil, a SOX afeta diretamente empresas que:
Seção 302 — Certificação dos executivos
CEO e CFO assinam pessoalmente que os controles internos foram avaliados e são eficazes. Se um controle de TI falhar e o executivo assinou, há responsabilidade pessoal. Isso cria pressão direta sobre o CIO/CTO para garantir que os controles de TI estejam documentados e funcionando.
Seção 404 — Avaliação do controle interno
A empresa deve incluir no relatório anual uma avaliação da eficácia do controle interno sobre o processo de elaboração dos demonstrativos financeiros. A auditoria independente (Big Four) verifica essa avaliação. É aqui que os ITGC (IT General Controls) entram: o auditor testa os controles de TI que sustentam os sistemas financeiros.
ITGC são os controles de TI que protegem a integridade dos dados financeiros nos sistemas. Eles não auditam cada transação — auditam os controles que garantem que o sistema processa transações corretamente.
Os 4 domínios ITGC auditados em SOX
Controle de acesso lógico
Quem acessa o quê, com que privilégios, quando, e como isso é revisado e revogado
Gestão de mudanças
Como alterações em sistemas financeiros são aprovadas, testadas e documentadas antes de ir para produção
Operações de TI
Agendamento de jobs financeiros, monitoramento de erros, gestão de incidentes com impacto em fechamentos
Backup e recuperação
Backup testado, RTO/RPO documentados, plano de continuidade dos sistemas financeiros
COSO (Committee of Sponsoring Organizations) é o framework de controle interno adotado pela maioria das empresas para SOX. Define 5 componentes: Ambiente de Controle, Avaliação de Risco, Atividades de Controle, Informação e Comunicação, Monitoramento.
COBIT (Control Objectives for IT) é o complemento técnico do COSO para TI. Enquanto o COSO define o "o quê" do controle interno, o COBIT define o "como" na perspectiva de TI. Auditores que conhecem COBIT conseguem mapear os ITGC com precisão.
Na prática: a maioria das empresas brasileiras usa uma combinação simplificada dos dois — sem a formalidade de adotar todos os processos do COBIT, mas com a estrutura do COSO como guia.
Finance entende SOX há 20 anos. TI foi puxada para o escopo mais recentemente e muitas vezes não tem processos estruturados. Os achados mais comuns em auditoria SOX de TI:
Checklist de 15 controles SOX para TI. Score por domínio, resultado na tela. PDF por email.
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